Havia recém casado, mudado de cidade, de emprego e tudo era muito novo e reluzente.
Mas as férias estavam ali. Tinha 12 dias pra queimar, obrigatoriamente.
Não sei bem o porquê, mas sempre tive uma atração pelos Andes. Também tinha um fascínio – acho que devido à natação diária – de conhecer o oceano Pacífico.
Pacífico. Andes. Andes. Pacífico.
De repente, o 'estalo': Claro, vamos cruzar os Andes e tomar um banho de mar no Pacífico! Perfeito!
Convidei meus pais e tivemos uns dois meses pra planejar o percurso e os demais pormenores da viagem.
Definimos o trajeto sem muitos pontos fixos. Iríamos até o litoral central do Chile, passando por Santiago e Mendoza na Argentina.
Seguro CARTA VERDE ok, zarpamos de Laguna/SC no dia 10 de março de 2007.
Descemos aproximadamente 920 kms e pernoitamos em Uruguaiana/RS.
NO dia seguinte, a meta era Córdoba. Acordamos bem cedo, tomamos aquele café e rumamos à aduana Argentina.
O trâmite foi rápido e logo já estávamos nas Rutas .... longas, retas, monótonas, bem cuidadas Rutas argentinas.
O caminho até Córdoba é, literalmente, uma reta só.
Só muda um pouco o visual ao cruzarmos sob o rio Paraná na cidade de Santa Fé. Fizemos ali uma parada para um almoço rápido e prosseguimos viagem.
Fazia calor, retas e mais retas. E mais retas!!!
Mas estava muito divertido ... era tudo novo, diferente!
Chegamos à Córdoba no início da noite.
Subestimamos o tamanho da cidade e nos deparamos com uma grande metrópole ... metrópole no meio do nada ...
Muito trânsito, sem noção de onde se dirigir pra buscar um hotel.
Fomos meio que vagando pelas ruas da cidade, sem qualquer noção, à caça de hotéis.
Paramos em diversos. Uns horríveis, outros excelentes, mas fora da nossa programação de custos.
Depois de uma hora de penúria, encontramos um bom hotel com preço justo.
Cansados, foi um alívio estacionar "el coche", tomar um banho e sair pra jantar.
Acabamos comendo umas empanadas e tomando várias QUILMES (que delícia) num lanchonete bem próxima ao hotel.
Na manhã seguinte, acordamos e fomos passear/desbravar a cidade.
Antes do almoço, rodamos a região central, catedral, um museu, rua de comércio, tiramos fotos.
Almoçamos uma excelente parrilada por preço excelente (o câmbio PESOX REAL nos era mui favorável)
Demos mais umas voltas e 'esgotamos' o básico da cidade pro que tínhamos planejado (2 noites e 1 dia)
Era meio da tarde e não queríamos voltar pro hotel. Não sei bem como, mas alguém nos falou da cidade de Carlos Paz, vizinha.
Decidimos ir lá conhecê-la. Valeu a decisão.
A cidadezinha é uma graça. Tem um lago central e é um balneário no verão.
Retornamos ao hotel e dormimos cedo.
Acordamos no dia seguinte e o café da manhã seria o que veríamos nos outros dias todos. Medialunas, 1 copinho de suco e 1 xícara de café.
Pra quem está acostumado com frutas, pães frescos, frios, laticínios etc, é quase que uma ração de guerra!
Bom, abastecemos a caminhonete e rumamos em direção à Mendoza.
Subimos a região de ALTAS CUMBRES, uma 'prévia' das cordilheiras, é um zona belíssima, com visual ímpar.
Passamos por Vila Dolores, graciosa, e depois chegou o deserto.
Foi bem triste. Não sabíamos que o deserto era assim, tão ... tão ... DESERTO! Heheh!
Cruzamos 200 kms de areia próximo ao meio dia e era só asfalto quente, areia e reta!
Nada de vilarejos ou cidades.
A fome apertou e estávamos desprevenidos.
NO meio do nada, literalmente, avistamos a cidade de Lujan!
Bom, cidade é bondade. Parecia cidade fantasma de filme de velho oeste.
Adentramo-na à caça de restaurante ... nenhum.
Rodamos, a fome já doendo até as costas, batemos, procuramos e nada!
Qd já estávamos aceitando a hipótese de ficar sem comer nada mesmo, apareceu um bodega feia, mas que falaram fazia uns sandubas!
Bom, tinha cerveja bem gelada ... naquele calor já era um bom começo.
A tia disse q faria um rango lá ... bom, era o que tinha.
Era um bifão de boi, com pão e batatas fritas.
Encomendamos 4 para viagem.
Levou quase 1 hora pra ficar pronto ... se desse pra ficar tomando QUILMES tudo bem, mas não. Tínhamos que dirigir e só tomamos 2 litros.
Rango pronto, seguimos viagem e comemos dentro da pick up mesmo (era bem mais aprazível que a bodega da tia).
Avistamos diversos motociclistas ... bateu-me uma água na boca. Eram brasileiros, argentino, chilenos, indo e vindo. Muito legal e excitante!
Chegamos no final da tarde em Mendoza, depois de centenas de kms de deserto.
Pegamos bem a hora do rush e curtimos um congestionamento básico.
Caçamos um hotel e nos alojamos.
Tomamos um banho e imediatamente demos início ao desbravamento da cidade, que é uma pintura!
As ruas são repletas da árvore HERA, que faz sombra. Ao meio dia, vc fica completamente ao abrigo das sombras, um charme.
Sem falar na infinidade de barezinhos, restaurantes, parques, praças e tudo o q turista gosta.
Almoçamos num restaurante nota 10 por preço módico.
Visitamos várias praças (tem infinitas), centro histórico, lojas e mais lojas ..... tudo muito lindo.
A tarde fomos até termas de Cacheuta, nas cercanias.
Um local ao sopé das cordilheiras, com água límpida, plantação de azeitonas, uvas, diversas vinícolas.
Conhecemos uma vinícola (lá conhecidas por BODEGAS) e retornamos pro hotel.
Mendoza foi uma grata surpresa a todos. Uma cidade que todos devem conhecer, sem dúvidas!
No dia seguinte tomamos café de medialunas novamente e saímos pra cruzar os Andes em direção à Santiago.
À medida que fomos nos aproximando da base da cordilheira, o visual foi ficando cada km mais lindo.
Tiramos várias fotos, mas essa ao lado é a que melhor representa a diversidade da paisagem!
Quando começamos mesmo a subir a cordilheira, a Polícia Argentina nos parou. Nem quiseram saber de documentos, mas nos obrigaram a abrir todas as malas, pacotes, etc. Revistaram o carro, forração do teto, portas e tudo mais, à busca de drogas.
Ali começamos a sentir frio.
Depois de uns 15 minutos, os policiais, mui educados, nos desejaram boa viagem.
Mais alguns kms e chegamos à entrada do parque nacional onde está o monte Aconcágua!
Fotos e mais fotos. O lugar é lindíssimo, e, mesmo em março, a neve nos picos mais altos é muito chamativa.
Prosseguimos e logo chegou a fronteira com o Chile, após o túnel Cristo Redentor.
Papelada a ser preenchida, e revista completíssima, tanto pessoal como nas bagagens.
Pelo menos dessa vez não precisamos desfazer as malas, pois o lindo cão farejador cheirou tudo e nos liberou rapidamente.
Logo à frente, passamos pelos famosos "LOS CARACOLES"!
Isso sim se pode chamar de SERRA! São paroximadamente umas 20 curvas, quase todas de 180º. Saímos de 3800 metros de altitude pra 750 metros em uns 10 kms apenas.
A diferença de pressão era tanta, que as garrafas de água foram literalmente esmagadas quando chegamos lá embaixo.
Chegamos em Santiago final de tarde. Estacionamos a caminhonete em frente ao Palácio de La Moneda e fomos passeando e procurando hotéis.
Estava tudo lotado, pois havia um congresso mundial de telefonia móvel na cidade ... mas no final, conseguimos um hotel excelente por preço justo.
Nesse dia jantamos uma boa massa com frutos do mar, e, óbvio, muita cerveza!!
No dia seguinte visitamos museus, correios, catedral, fomos no morro onde se tem uma visão geral da cidade.
Os frutos do mar são todos diferentes do que estamos acostumados, muito exótico para brasileiros.
E há também excelentes restaurantes e o preço do salmão é o mais convidativo!
(salmão in natura e grelhado ..... humm que delícia)
No final do dia, resolvemos ir à Viña del Mar.
Fomos correndo, pois queria pegar o por do sol no oceano e a noite já se aproximava.
Lá chegando, pegamos um baita congestionamento.
O dia se pondo e aquela angústia: preciso ver o por do sol ...
Ufa, enfim chegamos à praia. Rapidamente dei um banho no oceanos Pacífico (tava geladíssimo e as pessoas me olhavam e riam, achando que era louco! Bom, sou mesmo!)
Em poucos minuto os sol começou a se por ... foi muito emocionante para todos.
O dia estava lindo e a imagem do sol se pondo restará indelével em nossas recordações!
Jantamos em um shopping em Valparaíso e retornamos pra Santiago já alta noite!
No dia seguinte, cruzamos novamente a cordilheira (dessa vez saímos da autopista e fizemos um caminho vicinal, muito bonito, repleto de videiras)!
Almoçamos em Mendoza e resolvemos prosseguir viagem.
Atravessamos aquele deserto de novo e quando anoiteceu, vimos no mapa uma cidadezinha chamada Vila Mercedez. Era ali ou não seria, pois a próxima cidade estava centenas de kms à frente.
Saímos da auto pista e entramos no acesso à Vila Mercedez. Ficamos meio receosos, porque a entrada da cidade era muito feia.
Depois fomos chegando próximo ao centro e o patinho feio virou um belo cisne. A cidade era pequena, mas um charme.
Pegamos um hotel com facilidade e saímos pra comer uma pizza!
Foi uma das melhores pizzas que já comi!
Uma pequena circulada e cama!
No dia seguinte rodamos bastante e chegamos à Buenos Aires.
Pegamos um hotel num lugar meio sinistro, mas era próximo a uma estação de Subte e isso pesa.
Na manhã do outro dia, saímos pra fazer aquele TOUR básico em BsAs: Porto Madero, rua Florida, Plaza de Mayo e tudo mais.
Desta vez a cidade estava bem suja, nem parecia a BsAs que já conhecia.
Alguns "regalos" porque o câmbio era-nos muito favorável, não dava pra deixar passar!
Bom, curtimos BsAs e tava na hora de voltar porque as férias estavam se esgotando.
Pegamos a famigerada Ruta 14!
OS FDP dos canibais da Policia Caminera tentaram nos extorquir umas 5 vezes. Foi uma viagem pésssima! Estressante!
A cada posto policial, era uma tentativa. Nem gosto de lembrar.
Isso nos atrasou muito, nos revoltou e causou um desgaste emocional muito grande!
Sugiro a todos que forem pra Argentina a não pegarem a Ruta 14, que é o caminho mais próximo entre Uruguaiana e BsAs. Somente nessa província (Entre Rios) é que a corrupção entre os policiais é institucionalizada. É uma vergonha, mas os brasileiros são o alvo deles.
Há estradas vicinais ou faça o caminho por Santa Fé. Aumenta o trajeto, mas ali vc não terá problemas. Em todos os demais locais da Argentina, os policiais sempre foram muito educados e simpáticos!
Chegamos em Uruguaiana (ufa, como foi bom voltar ao nosso país depois de tantos vermes tentando nos extorquir) lá pelas 16 hs ... estávamos cansados.
Mas o tempo estava ótimo. Trocamos os pesos e dólares que restaram por reais e decidimos que voltaríamos pra Laguna sem parar!
Foi desgastante. Já estávamos a mais de 12 hs na estrada e ainda faltavam mais 940 kms até o lar.
Quando a noite caiu, eu e meu pai revezávamos a direção da pickup!
Foi tranqüilo até Porto Alegre. Depois o cansaço e o sono nos pegaram e a viagem ficou muito, muito desgastante.
Pra piorar, lá pelas 3 da manhã já em SC, um caminhão tombou na BR-101 e ficamos presos por uns 40 min.
Às 5 da manhã, 24 hs depois de sair de BsAs, chegamos à Laguna. Completamente moídos depois de mais de 1600 kms ininterruptos de viagem!
Somente o retorno foi desgastante por causa dos malditos policiais de Entre Rios.
Agradecimentos pela paciência de meus pais e pela parceria deles nessa aventura! Em breve vamos todos juntos novamente pro Sul da Argentina visitar o Glaciar Perito Moreno e demais atrativos!!!